Crédito Habitação: As Novas Regras que Entram em Vigor a 1 de Agosto — Guia para Quem Vai Comprar Casa em 2026

A partir de 1 de agosto de 2026, entram em vigor novas regras que vão alterar de forma significativa a concessão de crédito habitação e crédito ao consumo em Portugal. Estas mudanças foram definidas pelo Banco de Portugal e têm como objetivo reforçar a prudência dos bancos, evitar o sobre‑endividamento das famílias e garantir maior estabilidade financeira num contexto de taxas de juro voláteis.
Se estás a pensar comprar casa, trabalhar na área financeira ou aconselhar clientes, este artigo premium explica tudo o que muda, com clareza, profundidade e exemplos práticos.
Porque o Banco de Portugal decidiu atualizar as regras?
Nos últimos anos, o mercado imobiliário português tem registado:
- aumento da procura por crédito habitação
- subida contínua dos preços das casas
- maior exposição das famílias ao crédito
- impacto das taxas de juro variáveis nas prestações mensais
Para evitar riscos futuros e garantir que os bancos avaliam corretamente a capacidade de pagamento dos clientes, o Banco de Portugal atualizou a recomendação macroprudencial que estava em vigor desde 2018.
As novas regras do crédito habitação: o que muda a partir de agosto
As alterações incidem sobre quatro pilares fundamentais: taxa de esforço, maturidade máxima, percentagem financiada e tipos de contratos abrangidos.
1. Taxa de esforço máxima baixa de 50% para 45%
A partir de agosto, os bancos só devem aprovar crédito quando a taxa de esforço total do cliente não ultrapassar 45% do rendimento mensal líquido.
A taxa de esforço inclui:
- prestação do crédito habitação
- créditos pessoais
- crédito automóvel
- cartões de crédito
- outros encargos financeiros
Cenário de esforço agravado
O cálculo deve ser feito assumindo um aumento de 1,5 pontos percentuais na taxa de juro — uma simulação obrigatória para avaliar a resiliência do cliente.
Exceções
Os bancos podem aprovar créditos acima dos 45%, mas apenas até 10% do total de contratos que concedem.
2. Maturidades passam a ter apenas dois escalões
Antes existiam três escalões de maturidade. Agora passam a ser apenas dois:
- Clientes até 35 anos → maturidade máxima de 40 anos
- Clientes com mais de 35 anos → maturidade máxima de 35 anos
Esta regra aproxima a maturidade dos contratos da média nacional, que ronda os 30 anos.
3. Limites ao financiamento mantêm‑se — com uma mudança relevante
Os limites continuam iguais:
- Habitação própria permanente → máximo 90% do valor do imóvel
- Segunda habitação ou investimento → máximo 80%
O que muda?
Desaparece a exceção que permitia aos bancos financiar 100% quando o imóvel era detido pelo próprio banco.
Ou seja, já não existe financiamento total, mesmo em imóveis provenientes de retoma bancária.
4. Leasing imobiliário deixa de estar abrangido
O leasing imobiliário (locação financeira de imóveis) deixa de estar incluído na recomendação do Banco de Portugal.
Mantém‑se apenas o leasing de bens móveis, como automóveis.
As novas regras também afetam o crédito ao consumo
A recomendação abrange também crédito pessoal e automóvel.
Novos limites de maturidade:
- Crédito pessoal → máximo 7 anos
- Crédito para educação, saúde ou transição energética → até 10 anos
- Crédito automóvel → até 10 anos
Estas regras pretendem evitar que famílias assumam créditos longos com prestações pequenas, mas acumuladas ao longo de muitos anos.
A quem se aplicam estas regras?
As novas regras aplicam‑se a:
- bancos
- instituições de crédito
- sociedades financeiras
- sucursais autorizadas a conceder crédito em Portugal
E só se aplicam aos contratos cuja avaliação de solvabilidade seja feita a partir de 1 de agosto de 2026.
Impacto para quem vai pedir crédito habitação
1. Pode ser mais difícil obter aprovação
Com a taxa de esforço limitada a 45%, algumas famílias terão de:
- escolher imóveis mais baratos
- aumentar a entrada inicial
- liquidar créditos pessoais antes de avançar
- optar por prazos mais curtos
2. Prazos mais curtos para clientes acima de 35 anos
A maturidade máxima passa a ser 35 anos, o que pode aumentar a prestação mensal.
3. Fim do financiamento a 100%
Mesmo imóveis de bancos deixam de ter exceção.
4. Maior proteção para o cliente
As regras reduzem risco de incumprimento e evitam situações de sobre‑endividamento.
O que estas regras significam para o futuro do crédito habitação
As novas regras tornam o processo de concessão de crédito mais rigoroso, mas também mais seguro. Para quem vai comprar casa, isto significa:
- maior necessidade de planeamento financeiro
- mais atenção à taxa de esforço
- possível redução do valor máximo financiado
- prazos ajustados à idade
- maior estabilidade a longo prazo
Estas medidas pretendem proteger as famílias e garantir um mercado financeiro mais equilibrado.
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