Crédito Habitação terá critérios mais apertados com travão ao esforço: o que muda em 2026

O Banco de Portugal anunciou novas regras para a concessão de crédito à habitação, que entram em vigor a 1 de agosto de 2026. Estas medidas tornam o acesso ao crédito mais exigente, com o objetivo de reduzir o risco financeiro das famílias e reforçar a estabilidade do sistema bancário. A principal alteração é a redução da taxa de esforço máxima, mas há também mudanças nos prazos dos empréstimos e nas exceções que os bancos podem aplicar.
As novas regras surgem num contexto de forte subida dos preços das casas e de aumento do endividamento das famílias portuguesas.
🔍 O que muda no crédito habitação em 2026
1️⃣ Taxa de esforço máxima desce para 45%
A taxa de esforço — percentagem do rendimento mensal destinada ao pagamento de créditos — passa de 50% para 45%. Ou seja, as famílias só podem comprometer menos de metade do rendimento com prestações bancárias.
Exceções limitadas
Os bancos podem ultrapassar este limite apenas em 10% dos contratos por semestre, e sempre de forma justificada.
2️⃣ Prazos máximos passam a depender da idade
O prazo máximo do crédito deixa de ser igual para todos e passa a depender da idade do mutuário:
- Até 35 anos: prazo máximo de 40 anos
- Mais de 35 anos: prazo máximo de 35 anos
Esta medida pretende evitar que famílias mais velhas assumam créditos demasiado longos, reduzindo o risco de incumprimento.
3️⃣ Regras aplicam-se apenas a novos contratos
As alterações entram em vigor a 1 de agosto de 2026 e aplicam-se exclusivamente a novos pedidos de crédito, não afetando contratos já existentes.
📈 Porque é que estas regras estão a mudar?
Segundo o Banco de Portugal, estas medidas pretendem:
- Reduzir o risco financeiro das famílias, que aumentou significativamente nos últimos anos
- Controlar o endividamento, num contexto de subida dos preços das casas
- Promover critérios prudentes na concessão de crédito
- Reforçar a resiliência do sistema financeiro face à evolução do mercado imobiliário
🧮 Impacto para quem quer comprar casa
✔ Menor capacidade de endividamento
Com a taxa de esforço limitada a 45%, muitas famílias poderão ver o montante máximo financiado reduzir-se.
✔ Prazos mais curtos para quem tem mais de 35 anos
Mutuários acima dessa idade terão prazos menores, o que aumenta a prestação mensal.
✔ Maior dificuldade para obter aprovação
Os bancos terão menos margem para aprovar casos limite, devido ao travão nas exceções.
✔ Jovens podem beneficiar
Quem tem até 35 anos mantém acesso ao prazo máximo de 40 anos, o que reduz a prestação mensal e facilita a aprovação.
💡 Como preparar-se para estas novas regras
- Simular a taxa de esforço antes de avançar com o pedido
- Reduzir créditos existentes para melhorar a capacidade financeira
- Aumentar a entrada inicial para diminuir o montante financiado
- Comparar propostas entre bancos — alguns podem ter maior flexibilidade dentro das exceções
- Organizar documentação financeira para acelerar o processo de aprovação
As novas regras do crédito habitação tornam o processo mais exigente, mas também mais seguro para as famílias. Com limites mais apertados na taxa de esforço e prazos ajustados à idade, o Banco de Portugal pretende evitar situações de sobre-endividamento e garantir maior estabilidade no mercado imobiliário.
Se estás a planear comprar casa em 2026, é essencial preparar-te com antecedência, simular cenários e analisar bem o impacto destas mudanças no teu orçamento.






